São Thomé

A CIDADE DE SÃO THOMÉ DAS LETRAS

São Thomé das letras, no pico de uma montanha, a 1.444 metros do nível do mar. O céu é muito azul e a cidade é envolvida por um vale intensamente verde, onde se escondem magníficas grutas, cachoeiras, cavernas sem fim. As construções que caracterizam a cidade, feitas com as próprias pedras extraídas no local, cuidadosamente cortadas e empilhadas uma a uma, sem qualquer tipo de argamassa, oferecem segurança e firmeza, como as construções do século XVIII.

Com base na economia local, que é 60% oriunda da extração de pedras de quartzito, usadas no revestimento de casas, passeios, piscinas, e hoje exportadas para vários países da Europa, a cidade ficou conhecida como cidade de pedra. São Thomé das Letras é tudo de bom e belo e, ao longos dos últimos anos tornou-se uma cidade turística oficial, onde, no dia 7 de Março de 1996, recebeu o Selo de Potencial Turístico, concedido pela EMBRATUR, passando a integrar oficialmente o rol das principais cidades turísticas do Sul de Minas, pertencendo também ao maior projeto turístico já realizado em Minas Gerais, a Estrada Real.

Hoje, a cidade conta com uma infraestrutura capaz de receber bem o mais exigente turista. Destacando-se pela beleza exótica de suas pedras, rica em cachoeiras, casarões antigos, mistérios, aparições, trilhas e montanhas, a cidade oferece boas opções para o turista desfrutar de uma vida abundante, boa e bela. Uma natureza sem igual. Formações rochosas de arenito e quartzito criadas, há 600 milhões de anos, no pré-cambriano. Incontáveis cachoeiras e corredeiras, paisagens deslumbrantes nas trilhas e estradas, grutas e cavernas. A altitude elevada proporciona um horizonte de 360° com inesquecíveis espetáculos do nascer e pôr-do-Sol e da Lua. Noites que evidenciam um céu repleto de constelações.

HISTÓRIA DE SÃO THOMÉ DAS LETRAS

Aborrecido pelos maus tratos que recebia na Fazenda Campo Alegre, um escravo de nome João Antão, que diziam que mantinha um caso com a irmã de seu Senhorio, resolveu fugir e se esconder em algum lugar seguro. Encontrou uma gruta no alto da montanha, que oferecia abrigo e uma ampla visão das montanhas ao redor.

Ali, alimentando-se de frutos, raízes e caça, o escravo passou a viver. Certo dia apareceu ao escravo, um senhor de certa idade, de olhar sereno e fala macia, vestindo roupas brancas. Certamente um padre jesuíta fugitivo das perseguições do Marquês de Pombal, que por aquela época, havia determinado a expulsão de todos os jesuítas do País. O estranho lhe escreveu um bilhete, dizendo-lhe que o entregando ao seu amo, este lhe daria o perdão. Ele, acreditando no que lhe foi dito, voltou à Fazenda.

Ao ler o bilhete, o patriarca da família Junqueira, exigiu que o escravo o levasse a tal gruta. Montou-se uma comitiva que cavalgou até o local. No interior da gruta encontraram uma imagem de um Santo, entalhada em madeira, ao invés do padre Jesuíta. João Francisco, homem profundamente religioso recolheu a imagem e a levou para casa. A imagem sumiu e reapareceu na gruta por várias vezes. Acreditando ser um milagre, o Capitão mandou erguer uma capela no local. Data de 1770 o início do povoamento.

Neste ano foi concedida a provisão para a construção de uma capela em homenagem ao Santo. Em 1775 foi erguida outra capela, toda em pedra extraída do próprio local. Antigamente, a região pertencia à Fazenda Campo Alegre, tendo como fundador o Capitão João Francisco Junqueira. Foi ele que iniciou a construção da Igreja Matriz. Ele faleceu em 5 de abril de 1819, sendo sepultado na própria igreja que ele iniciara construção. Dentre os herdeiros deixados pelo Capitão João Francisco Junqueira, destacou-se seu filho, Gabriel Francisco Junqueira, nascido em 1782. Foi ele que, em 1842, recebeu de D. Pedro II o título de Barão de Alfenas. Faleceu em 1869 e também foi sepultado debaixo do altar, na Igreja Matriz de São Thomé das Letras.

O senhor de vestes brancas nunca mais foi encontrado. Acredita-se que era ele, o próprio São Thomé. Durante as obras de construção da Igreja, foram encontradas diversas pinturas em tom avermelhado na entrada da gruta, que eram muito semelhantes a letras..Há quem diga serem essas inscrições sinais deixados pelo Santo como prova de sua passagem pelo local. Alguns pesquisadores acreditam terem sido feitas por índios cataguases que habitaram a região, outros crêem ser inscrições de habitantes do neolítico. Outras suposições atribuem as inscrições a navegadores pré colombianos, os fenícios e até mesmo a visitantes extra terrestres. O nome “Letras” partiu da existência dessas inscrições.